Mostrando postagens com marcador Skinner. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Skinner. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O quanto sabemos sobre nós mesmos

Autor: Nicolau Chaud(1)
Seção Circulando Ideias

Uma das principais contribuições de Skinner diante das formas anteriores de comportamentalismo e à Psicologia como um todo foi a asserção de que eventos privados estão sujeitos às mesmas leis naturais que outros eventos comportamentais. Com isso, pensamentos, emoções e imaginação saíram do limbo onde haviam sido colocados pelos behavioristas metodológicos, mas também desceram do pedestal onde eram mantidos pelas psicologias mentalistas, passando a ocupar posição de igualdade com outros eventos comportamentais, pelo menos de um ponto de vista epistemológico.

Apesar da proposição, existe um viés cultural que dá importância especial àquilo que ocorre “debaixo da pele”. No senso comum, o acesso a eventos privados seria responsável pelo fato de uma pessoa ter um conhecimento sobre si próprio (autoconhecimento – tomado como repertório autodescritivo) superior ao conhecimento que outras pessoas tem dela. Em uma visão comum, nossas ideias, pensamentos e emoções definem aquilo que nos torna únicos e especiais. Tal viés ainda permeia algumas análises comportamentais, como ocorre às vezes em descrições sobre emoções, auto-regras e autoconhecimento.

Surge um impasse na tentativa de explicar tal forma de autoconhecimento em uma análise comportamental quando reconhecemos que o conhecimento sobre si próprio é construído nas relações interpessoais. Relatos sobre o próprio comportamento são aprendidos mediante contingências dispostas pela comunidade verbal, e tais contingências só podem operar quando essa comunidade tem acesso ao nosso comportamento. O que acontece quando nosso comportamento não é acessível por ninguém mais além de nós mesmos?


quinta-feira, 5 de julho de 2012

Por que o estímulo reforçador reforça?

Autor: Daniel Gontijo

"Por que o reforçador reforça?" foi uma das primeiras perguntas inquietantes que me assaltaram quando eu entrei em contato com a análise do comportamento. E, ao levantá-la em sala de aula, minha professora sugeriu que eu lesse uma seção do livro Ciência e Comportamento Humano, de B. F. Skinner (1953/2003), cujo título é justamente a pergunta que fiz. Nessa seção, Skinner faz menção à filogênese, critica explicações privadas (às vezes denominadas "mentalistas") e vislumbra a possibilidade de, algum dia, as ciências biológicas nos fornecerem alguma explicação para o reforçamento. Antes de abordar esses tópicos -- especialmente o que discute o papel das emoções sobre o condicionamento operante --, falarei um pouco sobre o conceito de reforço.

Em primeiro lugar, nenhum evento ou estímulo é intrinsecamente reforçador. Um estímulo adquire a função reforçadora com base nos efeitos que ele exerce sobre um comportamento. E que efeitos são esses? Geralmente, diz-se que um estímulo é reforçador quando, em função de sua apresentação, aumenta a frequência do comportamento que o gerou (embora possa haver reforçamentos não-contingenciais). Se, no cortejo de uma mulher, descrever títulos e funções laborais (por exemplo, "Eu atuo como engenheiro metalúrgico na Petrobrás") é seguido por, digamos, uma noite cheia de beijos, poderíamos observar o aumento de frequência desse comportamento em ocasiões similares no futuro. Portanto, os beijos poderiam ser denominados reforçadores em função do efeito (aumento de frequência) que exerceram sobre aquelas descrições (comportamento). Se aquele comportamento não aumentar de frequência, não poderíamos dizer que os beijos, ou quaisquer outras consequências que o seguiram, o reforçaram.

domingo, 10 de junho de 2012

Apenas no começo de uma nova ciência...

Autor: Vinícius Garcia

O texto abaixo foi redigido como esclarecimento aos pais de uma criança autista, cuja mãe era psicóloga e afeita à psicanálise. Baseado em citações de Freud presentes na excelente monografia de autoria de Pedro Sampaio - Psicanálise e Behaviorismo Radical: um paralelo epistemológico -, trata-se de um texto que sintetiza didaticamente informações históricas importantes que possivelmente se relacionam com o atual embate epistemológico entre psicanalistas e analistas do comportamento no campo do tratamento do autismo.