Autor: Daniel Gontijo
"Por que o reforçador reforça?" foi uma das primeiras perguntas inquietantes que me assaltaram quando eu entrei em contato com a análise do comportamento. E, ao levantá-la em sala de aula, minha professora sugeriu que eu lesse uma seção do livro Ciência e Comportamento Humano, de B. F. Skinner (1953/2003), cujo título é justamente a pergunta que fiz. Nessa seção, Skinner faz menção à filogênese, critica explicações privadas (às vezes denominadas "mentalistas") e vislumbra a possibilidade de, algum dia, as ciências biológicas nos fornecerem alguma explicação para o reforçamento. Antes de abordar esses tópicos -- especialmente o que discute o papel das emoções sobre o condicionamento operante --, falarei um pouco sobre o conceito de reforço.
"Por que o reforçador reforça?" foi uma das primeiras perguntas inquietantes que me assaltaram quando eu entrei em contato com a análise do comportamento. E, ao levantá-la em sala de aula, minha professora sugeriu que eu lesse uma seção do livro Ciência e Comportamento Humano, de B. F. Skinner (1953/2003), cujo título é justamente a pergunta que fiz. Nessa seção, Skinner faz menção à filogênese, critica explicações privadas (às vezes denominadas "mentalistas") e vislumbra a possibilidade de, algum dia, as ciências biológicas nos fornecerem alguma explicação para o reforçamento. Antes de abordar esses tópicos -- especialmente o que discute o papel das emoções sobre o condicionamento operante --, falarei um pouco sobre o conceito de reforço.
Em primeiro lugar, nenhum evento ou estímulo é intrinsecamente reforçador. Um estímulo adquire
a função reforçadora com base nos efeitos que ele exerce sobre um
comportamento. E que efeitos são esses? Geralmente, diz-se que um
estímulo é reforçador quando, em função de sua apresentação, aumenta a
frequência do comportamento que o gerou (embora possa haver reforçamentos não-contingenciais).
Se, no cortejo de uma mulher, descrever títulos e funções laborais (por
exemplo, "Eu atuo como engenheiro metalúrgico na Petrobrás") é seguido
por, digamos, uma noite cheia de beijos, poderíamos observar o aumento
de frequência desse comportamento em ocasiões similares no futuro.
Portanto, os beijos poderiam ser denominados reforçadores em função do
efeito (aumento de frequência) que exerceram sobre aquelas descrições
(comportamento). Se aquele comportamento não aumentar de frequência, não
poderíamos dizer que os beijos, ou quaisquer outras consequências que o
seguiram, o reforçaram.